Entre técnica e política: a formação do cão-guia como tecnologia assistiva e ator político no Brasil
Resumo
Este trabalho se propõe a explorar os processos de transformação do cão-guia em uma tecnologia assistiva a partir do conceito de cosmotécnica (Hui, 2020). Em um sentido latouriano (Latour, 2012) poderíamos dizer que tanto o cão, quanto o humano guiado, são atores dentro de uma rede de relações. Tais espécies companheiras (Haraway, 2021) compartilham naturezasculturas (Haraway, 2021) na formação destes cães como tecnologia assistiva em uma constante prática de antropo-zoo-gênese (Despret, 2011) na qual a domesticação interespécie envolve o treinamento de cães – e humanos – baseado em confiança e cuidado mútuo de toda a rede interespécie envolvida na formação dos cães-guia.
Esse cão, passa por um processo de transformação em tecnologia assistiva enquanto compartilha mundos em comum com as pessoas aos longo das fases de sua vida e treinamento. Esse cão de serviço passa a exercer um papel político dentro de uma cosmopolítica (Stengers, 2018) nacional que faz refletir sobre a necessidade da ampliação do número de cães-guia no Brasil. Esse trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla de mestrado que pretende compreender a história, a formação, a atuação, e as questões político-sociais, que envolvem o cão-guia em sociedade.