Uma política estetizada: Sobre o uso da inteligência artificial no bolsonarismo

Autores

  • Juliana Antunes de Lima Costa UERJ

Resumo

 Em 2024, foram convocadas pelos núcleos bolsonaristas, manifestações em prol da libertação dos presos do 08 de Janeiro. Na divulgação dos atos, o uso de imagens que retratavam uma multidão de verde e amarelo nas ruas, guiadas por anjos. Já em 2025, circulava um vídeo curto onde era retratado um homem na praia de Copacabana, construindo uma grande escultura de areia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outro conteúdo que circulava em 2025, por fim, se tratava de uma série de vídeos de convocatória de caminhoneiros, entregadores e profissionais do agronegócio a uma grande paralisação em defesa do ex-presidente Bolsonaro. O que todos os conteúdos guardam em comum? Todos eles foram produzidos e veiculados a partir de técnicas da inteligência artificial.

Tendo como elemento norteador, dentre outros recursos teóricos, o ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin, onde o autor descreve que “[...] a técnica da reprodução liberta o objeto reproduzido do domínio da tradição [...] e esse abalo da tradição é o reverso da atual crise e renovação da humanidade. Relaciona-se intimamente com os movimentos de massas dos nossos dias.” (Benjamin, 2021, p.15), o objetivo do presente trabalho consiste em tecer uma reflexão acerca do uso de técnicas da inteligência artificial no âmbito da  extrema-direita bolsonarista. Evidencia-se, assim, a dimensão da geração de conteúdos e seus objetivos, além das suas formas de circulação nas plataformas digitais. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 03 | Antropologia das inteligências artificiais: materialidades, práticas e imaginários sociotécnicos