Radicalização do sujeito liminar: uma análise acerca da formação de communitas algoritmizadas

Autores

  • Luciana Barbosa de Carvalho UERJ
  • Ana Claudia Teixeira Muhlethaler UERJ

Resumo

O uso massificado de redes sociais hoje se configura não apenas como um fenômeno novo que se atualiza a cada nova tecnologia disponibilizada, mas como espaços híbridos nos quais comunidades se formam através dos vínculos sociais. São os espaços híbridos que permitem o transbordamento de ações tomadas virtualmente para o mundo real, off-line. Diante dessa concepção, faz-se importante compreender se os algoritmos favorecem discursos radicalizantes e se estão contribuindo para a formação de um tipo específico de comunidade: as communitas (Turner, 1998). Conceito desenvolvido pelo antropólogo para explicar as relações de vínculo social formadas por sujeitos liminares em ritos de passagem, foi usado por Cesarino (2021) para pensar o bolsonarismo como um público antiestrutural e por Luciana (2025) para pensar a audiência da Brasil Paralelo. A partir do pressuposto que os algoritmos não são neutros porque as empresas de tecnologia e informação estão inseridas em um mercado influenciado por diferentes atores políticos, destacando representantes das novas direitas, produziu-se a análise de comentários em uma comunidade do Reddit sobre a Brasil Paralela a partir da revisão bibliográfica sobre a influência dos algoritmos nos usuários de plataformas digitais. Concluiu-se que os usuários favoráveis a conteúdos da BP replicam os argumentos da empresa, e seu vocabulário, sendo assim, as communitas se formam não circunscrito a um espaço geográfico, mas a partir dos vínculos lexicais. 

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Publicado

2026-09-08