O lugar das infraestruturas na antropologia digital: analisando as políticas de atração de data centers no Brasil

Autores

  • Louise Lima Karczeski UFSC

Resumo

Desde seu surgimento, a inteligência artificial (IA) construiu-se a partir de concepções sobre o humano e a natureza, sustentando-se também em “falsificações epistêmicas”, que atribuíram a essas tecnologias características como universalidade e objetividade, favorecendo o distanciamento de seus processos materiais. Mais recentemente, com o avanço de técnicas de aprendizado de máquina e do complexo industrial associado, as ciências sociais passaram a dedicar maior atenção à infraestrutura física que sustenta a IA. Nesse contexto, os data centers materializam os processos de datificação, em contraste com metáforas como a “nuvem”, que sugerem imaterialidade no armazenamento de dados. Como esses centros demandam exorbitantes recursos naturais e energéticos e operam com “termotemporalidades” próprias, sua inserção em diferentes territórios envolve promessas climáticas, políticas e infraestruturais. Este trabalho mobiliza a figura do data center para aproximar a antropologia digital da antropologia das infraestruturas. A reflexão parte da análise de duas políticas do governo federal - o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e a Política Nacional de Data Centers -, além da cobertura jornalística sobre a instalação de data centers nas regiões Sul e Nordeste do país. Ao adotar a perspectiva cibernética perante a digitalização, olhamos para o data center como objeto para o estudo da coemergência entre infraestruturas computacionais e uma “infraestruturalização” do ambiente. 

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Publicado

2026-09-08