Águas profundas, raízes antigas: trajetórias etnográficas pelas estearias em Penalva – Maranhão

Autores

  • Lalia Diniz dos Santos PUC-RIO

Resumo

Em diversas partes do mundo, construções tradicionais sobre as águas revelam saberes ancestrais, enraizados em contextos de resistência e em identidades culturais diversas, frequentemente invisibilizadas pelas lógicas urbanas contemporâneas. Nessa perspectiva, a presente pesquisa apresenta um recorte do Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo (UEMA), dedicado ao estudo das estearias da Baixada Maranhense — sítios arqueológicos lacustres pré-coloniais palafíticos localizados no município de Penalva (MA). Esses vestígios, cravados nos lagos maranhenses revelam modos de habitar conectados às águas e à autoconstrução indígena. A investigação, de caráter etnográfico, articula revisão bibliográfica, observação de campo, entrevistas e levantamento de fontes arqueológicas. Como contribuição prática, a pesquisa resultou na elaboração de uma cartilha educativa voltada à comunidade Penalvense, fortalecendo memórias e resistências locais. Espera-se não apenas ampliar o conhecimento acadêmico sobre o tema, como também evidenciar a centralidade da água na organização simbólica, espacial e cotidiana das comunidades tradicionais – em que a água não é um obstáculo a ser superado, mas um elemento vital que moldou sociedades e sustentou culturas, conduzindo a arquitetura palafítica não apenas como um objeto de estudo histórico, e sim, fonte de inspiração para novas abordagens construtivas sensíveis e que dialoguem com as águas. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 07 | Antropologias Ribeirinhas: À beira das Águas, poéticas e políticas de transformações dos Territórios ribeirinhos e seus conflitos silenciosos, diante das crises ambientais globais