Experimentos com socioalidades como catalizadoras da saúde
Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo discutir a saúde a partir do conceito de epistemicídio, elaborado por Sueli Carneiro (2023), que critica o eurocentrismo socioteórico por privilegiar o conhecimento científico em detrimento de saberes diversos. A autora denuncia como a colonização consolidou uma experiência social hegemônica, reduzindo outras formas de conhecimento (Cornell, 2012). Leitora de Michel Foucault (1975), Carneiro utiliza o conceito de dispositivo para evidenciar um “dispositivo de racialidade” operante no Brasil, que marginaliza saberes alternativos por meio da centralidade do sujeito ocidental. A metodologia baseia-se em revisão de literatura, com foco nos estudos de Carneiro e Foucault, que evidenciam a urgência de novas assembleias de vida. A discussão sobre a complexidade dos processos sociais e seu movimento contínuo evoca a destruição de pressupostos epistemológicos herdados da modernidade, incorporando sociabilidades mais-que-humanas e compreensões ampliadas sobre a ecologia antropocênica. Propõe-se pensar a saúde como processo que ultrapassa o humano, protagonizando outros entes em sua constituição e promovendo outros eixos de experimentação. Exemplo disso é a relação com as águas no Vale do Jequitinhonha, que nutrem o bem-estar do território, assim como a mandioca nutre os afetos dos almenarenses. A saúde não se reduz ao biofisiológico; exige abertura para a arte de notar o mundo e os saberes mais-que-humanos.