Genealogia Bombadeira: experimentações laboratoriais dissidentes e corpopolítica travesti
Resumo
Neste artigo, investigo a maneira como travestis vêm produzindo seus processos de autoconstrução corporal desde os anos 70 no Brasil, tendo como referência a produção e circulação de saberes que transcendem as fronteiras dos saberes médico-farmacológicos institucionalizados. Partindo das experiências de aplicação de silicone industrial clandestino, recupera-se uma genealogia de práticas laboratoriais dissidentes baseadas em três princípios (I) Autoexperimentação; (II) Subversão técnica; (III)domesticidade. Ao abordar a complexa interseção entre práticas experimentais, corporeidade e epistemologias trans, este artigo busca contribuir para o pensamento sobre a corpo-política travesti, na maneira como saberes subalternos e hegemônicos se entrelaçam de maneiras complexas.