A tríplice fronteira dos Comuns: Relação, território e contrahegemonia
Resumo
O seguinte trabalho propõe uma reflexão interdisciplinar acerca do tema dos Comuns, visando evidenciar como este conceito pode operar como ponto de intersecção entre os campos da antropologia, da economia e da psicologia. Para compor tal texto, lançamos mão de autores como Negri, Harvey, Latour, Deleuze e Guattari, McKinnon e Bollier a fim de mostrar como a noção de Comuns permite uma virada interdisciplinar de caráter construtivista e pragmática nas ciências humanas. Os textos The Future of the Commons, de Harvey, e The Growth of the Commons Paradigm, de Bollier, abrem pistas para deslocar a tradicional problemática dos comuns: a escassez deixa de ser a lente explicativa, e a irracionalidade no uso dos recursos passa a ser atribuída à configuração histórica da propriedade privada. Ao abandonarem um estatuto naturalizado, os comuns deixam de figurar como uma categoria abstrata, associada a um problema e solução igualmente universais. Em seu lugar, emerge uma ontologia relacional e nãoreducionista centrada no excedente (ao invés da escassez/falta) — ou na presença — que evidencia a constituição política, territorial e situada dos comuns. Com isso, a categoria passa a ser pensada a partir de sua escalabilidade, sua malha política e de implicações, abrindo espaço para um deslocamento epistemológico frente ao saber científico hegemônico. Esse olhar revela nos comuns não um problema a ser resolvido, mas uma potência explicativa para repensar as formas de vida e produção de mundo.