Semióticas da floresta: Balcão, Cesto, Aeródromo, Esfingomanômetro

Autores

  • Carlos Estellita-Lins Fiocruz

Resumo

Um relato de achado arqueológico-etnográfico num posto de saúde indígena – um balcão crivado de pregos – não indica “somente” racismo das equipes de saúde citadinas, mas objeto técnico que viaja para a Uruhi, incrustado de técnicas e semióticas de balcão. Cabe submeter ao caso alguns dados sobre problemas de saúde indígena da TIY, extraídos da literatura etnográfica e de fontes orais de informação. O balcão de atendimento, chegada, recepção é discutido enquanto  dispositivo semiótico ou nó privilegiado de uma rede de assistência e como obstáculo imanente ao cuidado. O exemplo militar é paradigmático no balcão amazônico nas urgências (risco de vida iminente): o transporte de urgência num aeródromo da mata para um hospital terciário é sempre exceção, favor aeronáutico, oportunidade rara, demora aguardando autorização, etc. A especialização na remoção é ambígua. Contudo indicam que certos instrumentos considerados irrelevantes são actantes que emitem sinais distintos na fronteira entre o sofrente e a tecnologia. A equivocação controlada está em jogo. Em suma, a porosidade da cestaria contrasta profundamente com a pretensa plasticidadeplástica das técnicas de engenharia da saúde. Creio que apostaria em pesquisas de efetividade e não nos estudos de eficácia. Busco percorrer hipóteses em uma antropologia da ciência radicalmente simétrica. Não tem valor enquanto etnografia ou campo, mas oferece uma propedêutica para as abordagens e práticas visando uma ecologia de saberes. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 16 | Cosmopolíticas da Emergência: diálogos (im)possíveis entre os povos indígenas e o Estado na resposta à crise humanitária na Terra Indígena Yanomami