Lidas e lutas cotidianas: imaginação política do cuidado às margens do Ribeirão da Onça (Belo Horizonte/MG)

Autores

  • Elisa Porto Marques UFMG

Resumo

 m minha pesquisa de doutorado em andamento busco caracterizar uma 'imaginação política do cuidado' como contranarrativa à ideia moderna de natureza e seus efeitos sobre as relações cotidianas com as águas urbanas. Tomo como ponto de partida para este texto meu encontro com Elenilza Brito, que na década de 1990 migrou do interior da Bahia para Belo Horizonte, onde construiu sua casa à beira do Ribeirão da Onça, na periferia nordeste da cidade. O Onça e seus afluentes estão entre os últimos cursos d’água a céu aberto da cidade, mas, em um  senso comum e um modo de vida próprios da ética capitalista da dominação, são reduzidos a ideias de insalubridade, tragédia e violência. Contrariando essa visão fragmentada, Elenilza, desde sua aposentadoria em 2015, aprofundou seu envolvimento na militância pela recuperação do rio e passou a se dedicar ao cultivo de uma horta aos pés da Cachoeira da Onça (uma queda d’água com mais de 30 metros de altura, incrustrada em meio à malha urbana). Neste contexto de relações imbricadas ao Ribeirão da Onça e suas margens, articulo temáticas do campo dos estudos urbanos como trabalho, moradia e política socioambiental, com enfoque nos afetos de cuidado – e da falta dele. Abordo as lidas e lutas cotidianas de Elenilza e suas companhias diversas, buscando extrapolar um saber sobre as águas e caracterizar um saber com as águas. A epistemologia do cuidado de Maria Puíg de la Bella Casa é tomada como principal base conceitual do trabalho. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 19 | Dissidências do Cuidar: tensões nas coexistências mais que humanas