A fala da terra: Cosmografia na escrita da pesquisa de acadêmicos indígenas

Autores

  • Amilton Pelegrino de Mattos UFAC

Resumo

  contribuição da presente proposta se baseia em minha experiência na Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre – Campus Floresta, curso em que atuo desde 2008, na área de Linguagens e Artes. Essa experiência baseia a pesquisa que resulta na tese de doutorado em Antropologia apresentada recentemente (Mattos, 2024) ao PPGSA da UFRJ, resultado de um percurso que também deu origem a uma série de publicações articuladas com trabalhos de acadêmicos indígenas (Mattos, 2020, 2021, Mattos e Huni Kuin 2017). Nesse trabalho, dedico-me a descrever e analisar processos de pesquisa de acadêmicos indígenas junto a suas comunidades, enfocando os recursos expressivos específicos desses trabalhos, que chamei de escrita. A escrita acadêmica desses pesquisadores em um curso de graduação específico, dedicado aos problemas das comunidades indígenas e suas práticas de conhecimento, é pensada a partir do conceito de coplanaridade (Viveiros de Castro, 2015), quando a pesquisa acadêmica pode servir para atualizar as práticas de conhecimento desses povos em vez de substituí-las, extingui-las ou mesmo “registrá-las”. Nesse processo de prática de pesquisa indígena (acadêmica e não acadêmica) e de reflexão sobre suas especificidades, chegamos ao problema da relação intrínseca entre linguagem e terra.  Seja nas cosmologias indígenas, seja no pensamento moderno, constata-se um vínculo profundo entre terra e linguagem (Lévi-Strauss, 1955).

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 20 | Encontro de Saberes e Ações Afirmativas - Transversalidades e Experiências