Entre fronteiras: trajetórias de alunas negras e os encontros de saberes na universidade
Resumo
Este trabalho acompanha as trajetórias de alunas negras na Universidade de São Paulo, com foco nas experiências de ingresso e permanência por meio de políticas de ação afirmativa. A partir de 11 entrevistas semi-estruturadas com estudantes de diferentes cursos, busco compreender como o racismo, o machismo e as desigualdades de classe atravessam a vivência universitária, afetando tanto o cotidiano quanto os sentidos atribuídos à presença dessas jovens na universidade. Ao mesmo tempo, analiso as formas de resistência construídas a partir de redes de apoio, coletivos estudantis e espaços de troca que possibilitam não só a permanência, mas também a elaboração de um projeto de vida marcado pelo engajamento político, afetivo e intelectual. O trabalho parte do entendimento de que essas experiências colocam em cena encontros entre saberes diversos – acadêmicos, familiares, comunitários – que desafiam as formas tradicionais de organização e produção do conhecimento na universidade. Ao trazer essas narrativas para o centro, a pesquisa propõe refletir sobre os sentidos e tensões desses encontros, sem reduzi-los à mera equivalência ou à inversão hierárquica entre saberes, mas reconhecendo sua potência como espaços de disputa, criação e transformação.