Materializando novas tecnologias biomédicas no mercado de inovação em saúde: algumas considerações sócioantropológicas
Resumo
Esta proposta busca discutir como a absorção e fomento de inovações tecnocientíficas no campo da saúde estão implicadas em práticas e saberes em conformação mercadológica no Brasil contemporâneo. Buscamos articular dois eixos: (i) a constituição de sujeitos funcionais e otimizados em processos de desmedicalização, e reconfiguração das disciplinas terapêuticas; e (ii) a emergência de circuitos sociotécnicos que articulam inovação, tecnologias e moralidades na saúde, evidenciando como Estado, mercado e saberes biomédicos se entrelaçam na (re)produção de capital. Investigamos como próteses, órteses, impressões 3D, modelagens físicas e virtuais, escaneamentos corporais e fetos impressos são mobilizados por engenheiros, médicos, terapeutas e designers, configurando mercados de saúde e biocapital e produzindo noções de aprimoramento carregadas de valores ético-morais e financeiros. Analisamos também como discursos de inclusão, igualdade e funcionalidade se articulam a utopias tecnológicas e sistemas de regulação. Com etnografias em laboratórios, eventos científicos, políticas públicas e práticas clínicas, buscamos contribuir para o debate sobre a produção de sujeitos, mercados e normatividades técnicas na saúde, iluminando ambiguidades entre inovação, cuidado, desigualdade e reprodução de capital no Brasil.