Emaranhados multiespécie e uma formação mais que humana para cultivar relações com uma Terra/terra viva no Coletivo Goiabal Vivo

Autores

  • Ágatha de Jesus Mendes UFU
  • Theo Tosta Pereira UFU
  • Mike Nascimento dos Santos UFU
  • Tiago Amaral Sales UFU

Resumo

Como um coletivo ambientalista atua na formação de biólogos/as e professores/as de ciências e biologia? Esta pesquisa emerge das vivências e ações do Coletivo Goiabal Vivo, em práticas educativas e de divulgação científica, com foco no cuidado do Parque Doutor Petrônio Chaves, conhecido como Parque do Goiabal, em Ituiutaba, Minas Gerais. Inspirada pelos estudos de Donna Haraway (2023) sobre naturezas-cultura e pertencimento à Terra, a pesquisa compreende o Goiabal, tanto o parque quanto o coletivo, como emaranhado de territórios de resistência e conexão entre humanos e não humanos. Nesse espaço, práticas de educação com o ambiente fortalecem vínculos afetivos com uma Terra/terra viva, mobilizando saberes comunitários e experiências sensíveis. Ailton Krenak (2020) propõe resgatar o vínculo com a Terra/terra, reconhecendo-a como um organismo vivo, e não apenas um recurso. As atividades desenvolvidas revelam o Goiabal como um território/ato que pulsa em relações multiespécies. O cuidado da APA e da área de Cerrado é compreendido como ato político e ético, ressignificando  o ambientalismo em tempos de mutações climáticas (Latour, 2020). Valorizar o pertencimento e a convivência com o coletivo reafirma a importância de cultivar práticas comunitárias que resistam às lógicas de exploração e promovam modos formativos de habitar a Terra/terra (Sales; Rigue; Dalmaso, 2023) entre humanos e mais-que-humanos, em um gesto respons-hábil (Haraway, 2023) de respeito mútuo e cuidado com a vida. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 21 | Estudos de ciência e tecnologia: reverberações nos territórios da educação