Cosmopolíticas, narrativas não-modernas e educação com ciências e tecnologias: um percurso germinando possibilidades
Resumo
Emergindo nos estudos científicos, a partir de trabalhos de I. Stengers e B. Latour, cosmopolítica é uma das noções que têm intervindo em potentes reflexões, deslocamentos, proposições e invenções no campo da educação com ciências e tecnologias. Essa noção representa também uma das formas de entrelaçamento entre os Science Studies e as antropologias. Vieira (2023), por exemplo, mobiliza essa noção para uma etnografia das resistências quilombolas em Caetité, BA, na vivência dos riscos da mineração e beneficiamento de urânio em seus territórios. Esse entrelaçamento representa, por sua vez, um espaço potente para pensar, inventar e praticar educações com ciências e tecnologias, no sentido da produção de uma simetrização de mundos em conflito que envolve dois movimentos interconectados: o de (re)pensar as ciências e tecnologias como implicadas num fazer-mundo que faz proliferar os híbridos modernos e, ao mesmo tempo, se esforça por apagar suas mediações; e o de aprender a se relacionar verdadeiramente com outros sistemas de produção de híbridos implicados em outros modos de fazer-mundos. Habitando, com estudantes de uma pós-graduação em Educação em Ciências, as controvérsias sociotécnicas e étnico-raciais que configuram a existência de um centro de lançamento de foguetes em territórios quilombolas em Alcântara/MA, apresentamos um percurso de produção de germinações da noção de cosmopolítica, compreendidas como narrativas nãomodernas em territórios educacionais.