A Agenda 2030 no Brasil: uma investigação sobre arranjos sociais, políticos e institucionais em torno dos ODS 18, 19 e 20
Resumo
Partindo de subsídios iniciais de minha pesquisa de doutorado, propõe-se explorar reverberações da Agenda 2030 em suas múltiplas dimensões, desde instrumento de governança global, passando pelas especificidades do contexto brasileiro - com a recente proposição dos ODS 18 (igualdade étnico-racial), 19 (arte, cultura e comunicação) e 20 (povos e comunidades tradicionais) -, chegando em realidades locais de indivíduos e coletivos aos quais tais 'inovações' se referem. Além de reiterar a liderança e autonomia do Brasil na temática, os ODS propostos reacendem debates basilares acerca dos sujeitos reconhecidos como agentes e/ou beneficiários do desenvolvimento, bem como quais epistemologias são consideradas e legitimadas na formulação de políticas públicas correlatas. Assume-se que os novos ODS emergem em um contexto de disputas que articulam, por um lado, interesses institucionais marcados por racionalidades políticas e econômicas, agregando, ainda, demandas e lutas locais e coletivas por reconhecimento simbólico e material, entrelaçando cosmologias radicalmente diversas. Pela análise documental e discursiva, investiga-se em que medida os novos ODS tensionam, adaptam ou reiteram os fundamentos economicistas do desenvolvimento no sul global, especialmente no Brasil, observando como tais preceitos são apropriados, reinterpretados ou resistidos por diferentes atores que, engajados pela urgência climática, são atravessados por marcos globais em contextos históricos desiguais.