A BNCC e a Produção do "Homem-Empresa": Implicações Sociopolíticas e Tecnológicas na Educação Brasileira
Resumo
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) formaliza uma lógica educacional centrada na autorregulação individual e na adaptação ao mercado, reforçando a subjetividade neoliberal. Inspirando-se em Dardot e Laval, esta comunicação analisa a emergência do homem-empresa dentro do espaço escolar, evidenciando como dispositivos normativos deslocam a formação educacional para um eixo de autogestão e responsabilização individual. As disciplinas Projeto de Vida e Socioemocional operam paradoxalmente: enquanto a primeira reforça um ethos meritocrático, a segunda regula emoções, subordinando subjetividades à adaptação social. A discussão se insere nos estudos de ciência e tecnologia ao analisar como dispositivos educacionais e tecnológicos — plataformas digitais, ensino adaptativo e avaliações automatizadas — intensificam a hiperprodutividade e a autoexploração, como denunciado por Byung-Chul Han na Sociedade do Cansaço. Por fim, inspirado em Stengers, propõe-se uma abordagem alternativa baseada na ciência pública, que prioriza a construção coletiva do conhecimento e o caráter político da educação, promovendo diálogos críticos entre educadores e alunos sobre as condições sociais que moldam suas experiências.