Etnofabulação e escritas coletivas: experiências de pensar e fazer junto no Coletivo Panelinha Audiovisual

Autores

  • Luz Mariana Blet UFSC
  • Eder dos Santos Braz UFSC
  • Jeferson Vieira IFSC

Resumo

Este trabalho apresenta a experiência do Coletivo Panelinha Audiovisual, que, desde 2023, mobiliza a escrita antropológica para além do individualismo acadêmico, propondo uma criação epistemológica, estética e política que tensiona os limites da universidade e a reivindica como território de produção de conhecimento para corpos historicamente periféricos: pessoas pretas, mulheres, mães e LGBTQIA+. Inspirado na escrita de Conceição Evaristo (2005) e nas reflexões de Lélia Gonzalez, afirmamos a potência de uma antropologia feita em coletivo, enraizada em corpos, memórias e imagens insurgentes. Neste contexto, propomos a noção de etnofabulação, conceito em construção coletiva, criado partir do curta É preciso aprender a voltar para casa (2024). A obra articula performance, corpo e imagem como estratégias para fabular memórias visuais enterradas, tensionando a própria possibilidade de narrar a experiência afro-diaspórica. A etnofabulação aparece como um caminho para fabular imagens e histórias que não se encontram materialmente no território, mas existem na subjetividade, na oratória e no pertencimento de pessoas racializadas e periféricas. Fabular é recusar que a falta de materialidade limite a possibilidade de compartilhar outras histórias. Inspirado pela etnoficção de Jean Rouch e pela fabulação crítica de Hartman (2019), o curta constitui um exercício de busca identitária e inscrição do corpo negro na antropologia, não como objeto, mas como sujeito de sua própria narrativa. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 33 | Técnicas do fazer junto: escritas coletivas e pesquisas engajadas