Manejo coletivo da autoconstrução originária – Lições indígenas

Autores

  • Thiago Magri Benucci UFMG

Resumo

Proponho compartilhar o projeto de uma tese em construção que brota de encontros com diferentes povos e trajetórias. Uma tentativa de costurar fios de experiências anteriores, mas também que ocorrem no presente, enquanto trabalho em projetos de publicações e arquiteturas comunitárias com os povos Yanomami, Munduruku, Guarani Mbya e Krahô. Trata-se de uma forma engajada de trabalho antropológico e uma forma indigenista de trabalho arquitetônico. Minhas referências são os saberes, práticas e trajetórias de vida, narradas pela oralidade e também pelas “oralidades impressas”. São as antropologias indígenas e a crítica indígena levada  à sério. Assim, experimento “sair da teoria e priorizar a trajetória”, pois como defendia o mestre quilombola Nego Bispo, “a trajetória precisa sustentar o discurso, senão o discurso não tem sentido”. Desses encontros, germinaram ideias que, nos termos da filósofa Isabelle Stengers, só poderiam nascer em um contexto de “aprendizagem situada”. Deles trago lições de ética e de vida com as quais desenho proposições e estratégias. Ideias relacionadas ao “manejo coletivo da autoconstrução originária”, segundo proposição de Casé Angatu. Esse é o caminho que esse texto percorre, ao menos por enquanto: a crítica indígena ao “peso da cidade”, nos termos de Sergio Yanomami, é o princípio; a suficiência, a esquiva, a resistência e a retomada são o meio; e o manejo – proposição teórica-pragmática – é o fim, ou o começo. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 26 | Modos de fazer, modos de lutar: cocriações em correspondência com quilombolas, indígenas e comunidades de terreiros