Especificação e processo de desenvolvimento de uma plataforma web para cartografia dos terreiros em Belo Horizonte

Autores

  • Alan Jovane Vilaça UFMG
  • Rogério Brittes Wanderley Pires UFMG
  • Núria Manresa Camargos Prefeitura de Belo Horizonte

Resumo

Na pesquisa "Cartografia e ecologia das práticas religiosas afro-diaspóricas em Belo Horizonte", construímos um website com camadas sobrepostas de informação (narrativas, registros audiovisuais, mapeamentos colaborativos) para representar “a Belo Horizonte dos terreiros”. Em vez de localizar casas religiosas em mapas pré-existentes, a pesquisa quer ver a cidade da perspectiva dos terreiros, mapeando conexões entre espaços, trajetórias e histórias de pessoas, entidades, divindades, saberes e práticas dos povos de axé. Um experimento imagético que tensiona a cartografia hegemônica registrando modos de habitar, experienciar e se relacionar dessas comunidades com o território urbano, suas águas, matas e demais seres mais-que-humanos. Nossa apresentação descreve algumas fases da pesquisa, dando atenção a dois elementos. Um é o dilema entre produzir uma cartografia mais experimental, que obvie as formas dissidentes de espacialidade expressas pelos povos de terreiro, ou ater-se a mapas mais tradicionais, o que permitiria ações mais engajadas na luta por políticas públicas. O outro trava diálogo com a engenharia de software, demonstrando que o desenvolvimento do site vai além de especificar e atender requisitos: busca um software alinhado aos objetivos da pesquisa, que dialogue com as epistemologias dos terreiros. Assim, o processo de desenvolvimento torna-se um exercício de adaptação crítica das práticas convencionais de especificação de requisitos de software e programação. 

Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 26 | Modos de fazer, modos de lutar: cocriações em correspondência com quilombolas, indígenas e comunidades de terreiros