A Rua Incorpora; Moleques, Entidades e o Corpo-ponte

Autores

  • Jennyfer Nayara Alves Felicio UFMG
  • Kayke Vinicius Costa Silva UFMG

Resumo

O trabalho propõe uma análise antropológica da rua como entidade viva, dotada de autonomia, sensibilidade e poder de transformação. Não a vemos apenas como espaço físico, mas como território simbólico, ativo na formação de subjetividades e estilos de vida, especialmente entre jovens negros e periféricos, muitas vezes rotulados como "moleques". Marginalizados socialmente, esses jovens participam e são atravessados por dinâmicas espirituais, estéticas e políticas promovidas pela rua. Dialogamos com cosmologias afro-brasileiras, especialmente com entidades da Umbanda como Exu, pra pensar a rua como encruzilhada e reencantamento do  mundo. Essas entidades, associadas ao movimento, riso e contestação, tensionam visões dominantes sobre espiritualidade e ancestralidade. Ressaltamos que a maioria dos corpos que vivenciam e mudam esse território são negros — oriundos da exclusão, mas também de profunda criatividade e força ancestral. A rua, nesse contexto, é lugar de transição — do caos à reinvenção da vida. Sua arte marginal, como pixação, dança ou música, reafirma a persistência de quem resiste. Propomos o conceito de molecagem para nomear essa ética e estética de adaptação criativa, materializada no corpo que dança, dribla e improvisa. O “moleque de rua” é mais que um tipo social: é um processo de transformação contínua. Pensar a molecagem como rito é reconhecer a pedagogia própria da rua: cuidado, coletividade e esperança como estratégias reais de sobrevivência e criação de mundos. 

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Publicado

2026-09-08

Edição

Seção

ST 32 | Saberes na encruzilhada: resistências, modos de sobrevivência e novas perspectivas na construção de outros mundos possíveis