Sensoriamento Remoto como Linguagem: Mediando Conflitos e Relações Socioambientais na Costa Verde
Resumo
O sensoriamento remoto pode ser compreendido como um ator sociotécnico que, em rede com satélites, softwares, analistas e territórios, participa da produção de informações geoespaciais. Através de imagens obtidas por processamento digital, é possível observar a Terra desde os anos 1970. A análise dessas imagens permite construir séries temporais, observar mudanças no uso do solo e viabilizar diagnósticos ambientais. Este trabalho propõe interpretar o sensoriamento remoto como ator em redes que articulam saberes técnicos, decisões políticas e vivências territoriais. Em vez de tratar imagens como “fotografias”, propomos entendê-las como inscrições digitais geradas por sensores, algoritmos, recortes espaço-temporais e, sobretudo, pelas dinâmicas territoriais de comunidades locais. A Costa Verde (RJ) abriga Unidades de Conservação e conflitos socioambientais envolvendo comunidades tradicionais frente a empreendimentos. Compreender o sensoriamento remoto como linguagem técnico-científica permite revelar vulnerabilidades como efeitos de interação entre normas, interesses econômicos e modos diversos de habitar o território. A Teoria Ator-Rede (Latour) e intersecções entre ciências ambientais e antropologia estimulam pensar o sensoriamento remoto como ferramenta e objeto epistêmico em conflitos mediados por tecnologia.