A Ascensão da Misoginia Digital: impactos do movimento Red Pill para as mulheres negras no Brasil pós-2018
Resumo
Esta pesquisa versa sobre a ascensão da misoginia digital e discute os impactos do movimento red pill para mulheres negras no Brasil, com foco no período pós 2018. O movimento red pill é conhecido por promover e disseminar conteúdos de ódio ou aversão às mulheres na internet. As plataformas digitais vêm se consolidando como espaços privilegiados para divulgação desses conteúdos, o que levou o Congresso Nacional a reconhecer a misoginia como crime praticado na internet, conforme a Lei 13.642/2018. A pesquisa tem como objetivo compreender, cientificamente, a ascensão do movimento red pill no ciberespaço, e como esse movimento (re) produz dinâmicas culturais colonialistas e suas implicações para as mulheres negras no Brasil, interseccionando gênero, raça, sexualidade e classe. A partir da etnografia digital e da observação participante, o ciberespaço será, ao mesmo tempo, campo e objeto de estudo da pesquisadora. Destacamos que no Brasil a misoginia figura como o segundo crime de ódio mais denunciado entre 2017 e 2022, indo de encontro com a ascensão da extrema direita no país e o crescimento de grupos e movimentos que promovem discursos de ódio, que impactam mulheres brasileiras, suas conquistas e, em especial, atentam contra as mulheres negras, já que tais grupos coadunam discursos misóginos com discursos racistas e xenofóbicos. Logo, compreender tais dinâmicas sob uma perspectiva antropológica torna-se uma tarefa urgente e imprescindível.