Autômatos Digitais de Imagens Médias, Máquinas de Aprendizado Profundo ou Tradutor Parafrástico: Inteligência Artificial entre reflexão e prática estética
Resumo
Propõe-se um breve panorama de como a reflexão estética e a prática artística de um grupo de artistas e pensadores nos últimos anos auxiliam na construção de instrumentos tradutórios a respeito dos discursos em voga sobre a natureza e funções da Inteligência Artificial. Acreditamos na produtividade desta análise, por meio de uma metodologia comparativa, por entendermos que muitas das questões com as quais artistas e pensadores da estética tem enfrentado em sua lida com a IA propiciam discussões frutíferas sobre a natureza deste dispositivo, seus limites e potencialidades. Na abordagem interdisciplinar destes artistas, que passa pelos campos da estética, da antropologia digital e da sociologia do trabalho, eles têm elaborado conceitos próprios e instrumentalizado outros de diversas áreas para definir a natureza destes programas. Assim, numa discussão que parte de entendê-los como softwares de design, passando por compreensões destes como máquinas de aprendizado profundo, chegando a entendimento destes como autômatos digitais de última geração ou meros tradutores parafrásticos, por meio de reflexões de artistas, escritores e pensadores da área da estética contemporânea como Mat Dryhurst e Holly Herndon, Ted Chiang e, principalmente, Hito Steyerl, acreditamos que a tradução aí operada sobre do que a IA é, pode e deve ser, auxilia no entendimento não apenas de seus benefícios e malefícios na prática artística, mas sim nas novas formas que elas propiciam de ser e estar no mundo.