Nós complexos terrestres: alianças incomuns no Antropoceno
Resumo
Partindo da ideia de que a política ontológica é uma questão de compromisso com e para um mundo de muitos mundos, o que entendo como uma aposta especulativa na mutualidade e na interdependência, pretendo explorar as possíveis consequências cosmopolíticas de levar a sério o modo como povos indígenas e tradicionais, mas também coalizões populares em prol da Terra, se apropriam e subvertem os modos de vida e de conhecimento impostos pelo chamado "Ocidente". Isso resulta em composições de um "nós complexo", como propõe Marisol de la Cadena, capaz de afetar o modo como concebemos a relação entre "nós" e "eles" e de abrir espaço para alianças inauditas. Talvez pudéssemos chamar esses experimentos de “composições do (in)comum”. Para isso, invocarei três intercessores: o líder quilombola Nêgo Bispo, o antropólogo tukano João Paulo Lima Barreto e Mestre Joelson, da Teia dos Povos, uma articulação de comunidades, territórios, povos e organizações políticas, rurais e urbanas de todo o Brasil.