Um mar de ambivalências: casos de indenização e reassentamento durante a construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar, a partir de relatos e depoimentos, os impactos sociais da construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, destacando como o processo de remoção forçada e as indenizações oferecidas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) se configuraram como práticas ambivalentes. Embora apresentadas como compensações e melhorias, tais medidas revelaram-se insuficientes, não reparando as perdas materiais e simbólicas dos ribeirinhos. Observa-se que o discurso técnico da Chesf prevaleceu sobre as perspectivas locais, configurando uma “queda de braço” em que o conhecimento técnico foi utilizado como argumento para invalidar a perspectiva dos riberinhos. Argumento ao longo do texto que as indenizações e reassentamentos não promoveram justiça social nem compensaram as perdas dos ribeirinhos do submédio São Francisco, com os interesses próprios da Chesf sendo atingidos, mas os dos ribeirinhos sendo negligenciados.